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Depois da Chuva
Joana Darc Brasil & Karla Bardanza
E depois da chuva, caminho pelas poças com pés descalços... Alço altos vôos pelo meu coração com uma única certeza: tenho asas, sou borboleta... Violetas ali, jasmins aqui... Tanta beleza A vida descortina... Ó sou tão menina! Pego uma margarida, e já esqueço a ferida... Tantas idas e vindas, tantos sins e nãos, e meu coração floresce em mim...
Antes da chuva eu era tristeza Era lagarta em casulo Em nada via beleza Era um vazio escuro Mas depois da chuva A poeira se apaga A vida antes era turva E agora a alegria se propaga. A chuva no campo e no mar Muda e alegra meu olhar A vida tem mais cor E ali alguém passa a me observar E começa uma linda historia de amor.
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Até quando terás, minha alma, esta doçura
Cecília Meireles
Até quando terás, minha alma, esta doçura, este dom de sofrer, este poder de amar, a força de estar sempre – insegura – segura como a flecha que segue a trajetória obscura, fiel ao seu movimento, exata em seu lugar...?
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Beija-flor
Márcia Fasciotti
Flor... Flor que beija Flor que deseja O beijo do beija-flor Que não a beija... Ele voa Desaparece, reaparece E pousa em outra flor Saudade - dor!! Esperança perdida nos jardins, Cravos, rosas Margaridas e jasmins. Voe e pouse em outra flor. Sinta o perfume dela. Leve seu pólen prá florir outra janela. Traia todas as flores, Com beijos de todas as cores... Mas cumpra com seu dever... Resgate o que cativou. Faça renascer, Desejo - beijo - flor, Eu, você e o amor... Beija!!! Flor...
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NOITE ENCANTADA DE NATAL !
Nem o mais rude dos olhares
Nem a mais fria emoção
Nesta noite encantada
Basta ter um coração!
Toca sino da alegria
Toca sino de Belém
Nesta noite encantada
Somos Jesus também!
Brilho de encanto de noite
Brilho de encanto de luz
Esta noite é para você
Que por nós morreu na cruz!
Nesta noite encantada
Não tem choro e embaraço
Tem amor em cada gesto
Sinceridade no abraço!
Nesta noite encantada
Voltamos a ser menino
Embalamos nossos sonhos
Nas baladas deste sino!
Oh! Jesus nosso Senhor
É menino eternamente
Nos livre de todo mal
Faça brotar a semente!
Do amor
Do amor
Do amor...
edemorpin
Publicado no Recanto das Letras em 19/12/2007 Código do texto: T784150 |
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Canção
Pus o meu sonho num navio
e o navio em cima do mar;
- depois, abri o mar com as mãos,
para o meu sonho naufragar
Minhas mãos ainda estão molhadas
do azul das ondas entreabertas,
e a cor que escorre de meus dedos
colore as areias desertas.
O vento vem vindo de longe,
a noite se curva de frio;
debaixo da água vai morrendo
meu sonho, dentro de um navio...
Chorarei quanto for preciso,
para fazer com que o mar cresça,
e o meu navio chegue ao fundo
e o meu sonho desapareça.
Depois, tudo estará perfeito;
praia lisa, águas ordenadas,
meus olhos secos como pedras
e as minhas duas mãos quebradas.
Cecília Meireles
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CANTIGA
Passa o tempo, passa o tempo
e eu gosto mais de você.
Sem até quando, sem tempo
sem amanhã, sem porquê.
Vem a lua, vem a noite,
Vem a chuva, sinto frio.
Sua sombra, sua marca
nas marcas deste vazio.
Sinto uns dedos - são seus dedos.
Sinto um desejo - é o seu.
Penso no quanto sou sua
quanto você não é meu!...
Vou cantando cantiguinhas
canto do amor sem porquê.
Passa o tempo, passa o tempo
e eu gosto mais de você...
(Adayla Barbosa) |

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Inscrição na Areia
O meu amor não tem
importância nenhuma.
Não tem o peso nem
de uma rosa de espuma!
Desfolha-se por quem?
Para quem se perfuma?
O meu amor não tem
importância nenhuma.
Cecilia Meireles
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Carnaval
Chorar no carnaval?!...
Mas a noite é tão triste
e nenhum eco de canção
atravessa o chiado macio da chuva...
Chorar no carnaval?...
Mas meu irmão sem teto
vai dormir na calçada
e, algemada pela covardia
eu não lhe abro a minha porta...
Chorar no carnaval?...
Mas as alegres moças
e indecisos mancebos
desfilam sob mantos e tiaras
na passarela ornada de famintos...
Chorar no carnaval?...
Que mais posso fazer
no mundo que naufraga e decepciona
se não há no horizonte
uma promessa mínima de amor?
Adayla Barbosa |
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Canção da Busca
O mundo envelheceu...
As luas sucederam-se.
O tempo transcorreu
e eu não o vi passar.
Tinha os olhos demais empanados
e tinha
o eco de um soluço ainda a ressoar.
Cada nova manhã
um milagre acendia
de pássaros, de coros
de crianças a brincar.
E eu não os pude ver
e escutar não podia.
Tinha os olhos demais empanados
e tinha
o eco de um soluço ainda a ressoar.
Talvez à minha porta
alguém haja chamado,
ou em busca de mim u'a mão se estendeu.
Talvez nalguma noite
alguém me haja buscado,
mas eu não pude ouvir
nem responder, nem ver.
Tinha os olhos demais empanados
e tinha
a alma louca buscando
o que não pode ser...
Adayla Barbosa
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Amor e Carinho
Um gesto de carinho
é o reflexo da luz do amor
que ilumina nosso caminho.
Uma atitude com amor
é o reflexo da luz da bondade
que nos aquece com seu calor.
Amor e carinho valem ouro
para quem ama de verdade
é o mais precioso tesouro.
Amor e carinho, demonstração
de um doce afeto, de amizade
que enternece todo o coração.
Sueli do Espirito Santo
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Semanário
Na segunda-feira trabalho.
Afio enganos, anos e anos.
Na terça-feira trabalho.
Faço promessas de vagar
e de pressas.
Na quarta-feira trabalho.
Empilho o tédio em caixas.
Penduro em branco nas ruas,
as faixas.
Na quinta-feira trabalho.
Esqueço um percevejo
no fundo da gaveta
do desejo.
Na sexta-feira trabalho.
Descubro um buraco na calça.
Outro buraco na alma.
Liquido a traça.
No sábado trabalho.
No fonema, no poema.
No sonho entalado da verdade.
No dilema da felicidade.
No domingo
sento numa praça deserta.
E penso, covarde,
na próxima semana
escrita no livro da liberdade.
Lindolf Bell |

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A Concha e a Virgem
Linda concha que passava,
Boiando por sôbre o mar,
Junto a uma rocha, onde estava
Triste donzela a pensar,
Perguntou-lhe:- Virgem bela,
Que fazes no teu cismar?
-E tu, pergunta a donzela,
Que fazes no teu vagar?
Responde a concha:- Formada
Por estas águas do mar,
Sou pelas águas levada,
Nem sei onde vou parar!
Responde a virgem sentida,
Que estava triste a pensar:
-Eu também vago na vida,
Como tu vagas no mar!
-Vais duma a outra das vagas,
Eu dum ao outro cismar;
Tu indolente divagas,
Eu sofro triste a cantar.
-Vais onde te leva a sorte,
Eu, onde me leva Deus:
Buscas a vida, - eu a morte;
Buscas a terra, - eu os céus!
Gonçalves Dias

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A Rosa
Como ostentas sedução!
Oh! como és linda e formosa,
Como és bela e caprichosa,
Minha florinha mimosa
Em tão virginal botão!
Sobre as águas da corrente
Que murmura mansamente,
Como te inclinas contente
Ao sôpro da viração!
O teu perfume tão brando
Os ares embalsamando,
De gozos me embriagando,
Como fala ao coração!
Oh! como falas de amor,
Mimosa, purpúrea flor!
Mas eu não te colho, não!...
Quando te vir outra vez,
Amanhã mesmo - talvez,
Já não inspires paixão.
Já estarás desbotada,
Pálida, murcha, coitada,
Com tua fronte inclinada,
Com tuas folhas no chão!...
E eu direi: ela vivia...
Longa vida prometia
Essa rainha dum dia;
Depois veio o furacão
E ai! deixou-a caída,
De suas galas despida,
Sem brilho, sem côr, sem vida!...
- Uma rosa, uma ilusão.
Casimiro de Abreu

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Só
Sente o inútil de tuas mãos vazias
no gesto estéril que ninguém vê.
Junta-as e tenta uma prece
que não alcançará o teu céu desejado.
Sente a sombra em teus olhos sem pranto.
Fecha-os e busca uma visão distante
que fizeste tão íntima, tão tua,
e regressa ao teu mundo sem presenças
pisando as marcas dos teus próprios pés.
Olha dentro de ti. Vai fundo em tua alma.
Vê onde guardaste as últimas flores
e volta trazendo o que te resta:
um punhado de pétalas desbotadas.
Busca no pó do tempo o que foi o teu caminho,
aquele que fizeste passo a passo,
e tenta recolher os sonhos semeados
por tuas mãos ainda quentes de esperança
e vê que a névoa pálida do inverno
calcinou, um a um, teus sonhos todos.
Agora, senta e chora: estás só.
Adayla Barbosa
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Dentro de um livro...
Tem partida, tem viagem, tem estrada, tem caminho, tem procura, tem destino lá dentro do livro.
Tem princesa, tem herói, tem fada, tem feiticeira, tem gigante, tem bandido lá dentro do livro.
Quanto mito, quanta lenda, quanta saga, quanto dito, quanto caso, quanto conto lá dentro do livro.
Tem tragédia, tem comédia, tem teatro, tem poesia, tem romance, tem suspense lá dentro do livro.
Tem passado, tem presente, tem futuro, tem moderno, tem o velho, tem o novo lá dentro do livro.
Tem verdade , tem mentira, tem juízo, tem loucura, tem ciência, tem bobagem lá dentro do livro.
Tem estudo, tem ensino, tem lição, tem exercício, tem pergunta, tem respósta lá dentro do livro
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Quanta regra, quanta norma, quanta ordem e quanta lei, quanta moral, quanto exemplo lá dentro do livro.
Tem imagem , tem pintura, tem gravura, tem estampa, tem figura lá dentro do livro.
Tem desejo, tem vontade, tem projeto, tem trabalho, tem fracasso, tem sucesso lá dentro do livro.
Quanta gente, quanto sonho, quanta história, quanto inverno, quanta arte, quanta vida há dentro de um livro!
Ricardo Azevedo. |

"Quanta gente, quanto sonho, quanta história, quanto inverno, quanta arte, quanta vida há dentro de um livro!"
Ricardo Azevedo.
  
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Passa o tempo, passa o tempo
e eu gosto mais de você.
Sem até quando, sem tempo
sem amanhã, sem porquê.
Vem a lua, vem a noite,
vem a chuva, sinto frio.
Sua sombra, sua marca
nas marcas deste vazio.
Sinto uns dedos - são seus dedos.
Sinto um desejo - é o seu.
Penso no quanto sou sua
quanto você não é meu!...
Vou cantando cantiguinhas
canto do amor sem porquê.
Passa o tempo, passa o tempo
e eu gosto mais de você...
Adayla Barbosa |
Passa o tempo, passa o tempo e eu gosto mais de você...
  
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O QUE É - SIMPATIA
Simpatia - é o sentimento
Que nasce num só momento,
Sincero, no coração;
São dois olhares acesos
Bem juntos, unidos, presos
Numa mágica atração.
Simpatia - são dois galhos
Banhados de bons orvalhos
Nas mangueiras do jardim;
Bem longe às vêzes nascidos,
Mas que se juntam crescidos
E que se abraçam por fim.
São duas almas bem gêmeas
Que riem no mesmo riso,
Que choram nos mesmos ais;
São vozes de dois amantes,
Duas liras semelhantes,
Ou dois poemas iguais.
Simpatia - meu anjinho,
É o canto do passarinho,
É o doce aroma da flor;
São nuvens dum céu d'agosto,
É o que me inspira teu rosto...
- Simpatia - é quase amor!
Casimiro de Abreu
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Simpatia... é quase amor!

   
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Coração
Coração de papel
Toma muito cuidado... as lágrimas vertidas vão desmanchá-lo.
Pobre de você, coitado!
Dividido, amargurado, buscando felicidade?
Se sabes bem que por hora na Terra é impossível, porque insiste?
Mãos ao alto, entregue-se já!
Não olhe para traz....ou quer virar pedra?
Coração de pedra...
Tome cuidado... água mole em pedra dura tanto bate até que fura.
Puxa vida!
Até fazendo arremedo de poesia não posso ter o coração que quero?
Desisto! eu me rendo!...
Bate, bate coração de vidro...cuidado para não se quebrar.
Luiza
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Canto de Amor
O amor que eu sei é manso como o rio
que desce da montanha.
É calado e sereno
como o abrir de uma flor.
O amor que eu sei
não tem nem pede nomes,
nem cores, nem sabores, nem poderes.
É pobre, sendo multimilionário
de todos os prazeres e alegrias.
O amor que eu sei começa no meus olhos
e vai brincar em todos os olhares,
nos sorrisos, nas peles e nos sons.
O amor que eu sei não nasceu nem foi feito:
está em mim, no mundo, nas estrelas,
assim na terra como está no céu.
O amor que eu sei é cântico e silêncio;
é vertigem e paz,
é gesto, aceno, bênção, água e pão.
É vento nos cabelos, pés na areia,
princípio e fim; eternos sim e não.
O amor que eu sei só cabe no infinito:
no infindo e eterno mundo
do meu coração...
(Adayla Barbosa) |
RAIOZINHO DE S L

Raiozinho de Sol,
Que ternamente atravessa
As janelas do meu ser.
Que me sorri,
Que me acalma,
Que brinca dentro de mim.
Tu és pequenino Raiozinho de Sol,
Mas trás em si
A beleza das manhãs,
A luz de um novo amanhecer.
Raiozinho de Sol,
Tu és filho do Astro Rei,
E se a luz deste ainda me cega,
A tua me aquece e me faz bem!
E eu que um dia senti frio
Agora não sentirei mais.
Até logo, Raiozinho!
Não demore,
Até mais!
YNÁD
04/07/01
Hoje está fazendo 4 anos que recebi essa poesia...
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